Alguns estudos publicados recentemente mostram que buscar ajuda com seus pares pode surtir um grande efeito nesta seara.
Já pensou em formar um grupo para juntar dinheiro? Isso mesmo, juntar dinheiro! Existem os grupos de férias, grupos de leitura, grupos de ver filmes, grupos pra perder peso, ou seja, existem grupos para todos os gostos.
No mesmo processo dos AA (Alcoólicos Anônimos), a realização de objetivos em grupo provou ser eficaz em levar pessoas a modificarem seu comportamento. Agora os pesquisadores estão aplicando este conceito com mais freqüência em questões relacionadas ao dinheiro.
Em um estudo de 2010 realizado por pesquisadores americanos e chilenos, uma turma controlada de empresários começou a se reunir regularmente para definir objetivos semanais de poupança, discutir seus objetivos e confessar os seus erros. Ao longo de um ano, a média da turma foi uma economia mensal de 11% de sua renda – guardaram duas vezes mais dinheiro do que outra turma controlada que não tinham as reuniões.
Agora, seria possível adotar este modelo de “terapia em grupo” dentro de casa, com a própria família? Ou seja, buscar o próprio suporte em casa para ter atitudes mais positivas em relação ao dinheiro? O que acha de começar a pensar neste assunto?
O que acontece em geral nas famílias é que existe um provedor ou provedores, talvez os pais que estão empenhados em dar conforto, em construir um patrimônio, aqueles quem levam dinheiro para dentro de casa. É comum nas famílias brasileiras o controle financeiro estar na mão do chamado “arrimo de família”, o pai, que normalmente é o principal provedor. Porém, quero levá-lo a uma reflexão, principalmente os pais. Temos dito nos programas que gastar é tão importante como ganhar. Se dentro de casa temos muitos “gastadores”, ou “consumidores” da renda da família, não seria o caso de envolvê-los na gestão financeira? Não seria o caso deles participarem e darem a sua contribuição, não ganhando, como os filhos que não trabalham, mas fazendo algo tão importante como os provedores que trazem a renda, que é controlando os gastos com responsabilidade?
Uma grande parte dos problemas financeiros das famílias estaria resolvida se elas adotassem a prática de administrarem as finanças juntos, se formassem um grupo de trabalho, ou porque não dizer, fazer uma “terapia financeira em grupo”. Alguns planejadores financeiros até recomendam algumas dicas para que a “terapia em grupo” em família dê certo.
Vejam algumas delas:
1. ENVOLVER TODA FAMÍLIA NO PROJETO: não deixe ninguém de fora, chame todo mundo pra sentar e ver quem têm objetivos.O objetivo é comum?Não é?Se cada um tem o seu objetivo, nada melhor do que fazer com que ele se concretize em grupo.
2. ESTABELECER METAS REALISTAS: não dá pra falar “quero uma Ferrari no final do ano”.Se não é possível, isto tem que ser entendido claramente. É preciso então fazer algumas contas juntamente com os pais, os filhos, todo mundo junto pra ver de onde vem o dinheiro, ver até quanto dá pra gastar, e quais metas são realistas. Aí já entra novamente naquela palavrinha tão repetida nos nosso programas: o orçamento. Ele deve ser feito com todos os membros da casa. Todos devem conhecer a renda e para onde vai ser aplicada a mesma.
3. TODOS OS PARTICIPANTES DEVEM TER METAS: lembre-se que a meta principal é ter estabilidade financeira, e com ela virá a qualidade de vida e o bem-estar chamado de “juntar dinheiro”, não de gastar o que não tem.Todos devem ter uma meta, que pode ser uma meta em comum da família ou cada um com suas metas próprias, mas é importante estabelecer essas metas com todos reunidos. Veja alguns exemplos de metas:
a. Da família: trocar de carro no fim do ano, fazer uma viagem internacional, reformar a casa. Metas de economia: ir trabalhar de ônibus e metro duas vezes por semana.
b. Metas particulares: fazer um curso de inglês, estudar um instrumento musical. Metas de economia: ir de bicicleta para o curso de inglês, não gastar mais que “X” reais por dia com lanche na escola.
Para fazer frente às metas que envolvem despesas extras ou investimento, elas devem ser precificadas e devem constar no planejamento e no orçamento a formação da reserva.
4. FAZER REUNIÕES REGULARES: as reuniões servirão para avaliar como está o andamento de cada um, avaliar os erros e acertos. Não faça uma reunião no início do ano e depois outro no final porque assim vocês nunca conseguirão alcançar as metas e objetivos. É preciso a cada mês saber se o plano irá dar certo. O que estamos dizendo com “reunião”, nada mais é que promover o diálogo entre todos sobre os assuntos financeiros: planejamento, orçamento, compras, investimentos, etc.
Esses diálogos serão essenciais para dar suporte pra ver quem não alcançou a meta, rever seus erros, valorizar aqueles que conseguiram alcançar e, claro, comemorar, celebrar. Nunca devem existir brigas, discussões ou acusações quando se fala de assunto financeiro, mas sim conselho e ajuda mútua. O objetivo maior é o bem-estar de toda a família. Todos saem ganhando. Todos conseguem agir melhor quando sabem que estarão compartilhando erros e acertos e, no fim de tudo, as recompensas das metas e objetivos.
Assim que os filhos passam a ter consciência do valor do dinheiro, que começam a consumir, por menor que sejam as despesas, como o lanche na escola, já devem participar nos diálogos familiares sobre dinheiro.
Essas dicas e também reuniões em grupo tanto servem para juntar dinheiro quanto para pagar dívidas. Os membros da família podem fazer isso estabelecendo metas e planos, como por exemplo, os filhos podem deixar de sair com colegas para lanchar fora no fim de semana, alugar DVDs, etc, dando sua parcela de contribuição no processo de recuperação das finanças da família.
Se as metas não estão ligadas ao pagamento de despesas, mas a planos futuros de recreação, como férias, ou investimento patrimonial, etc, a pergunta pode ser: “Mas quanto devemos como família guardar por mês para conseguir realizar nossas metas?” Bom isto depende de quais metas vocês estabeleceram. Mas uma resposta mais clara e simples é que a família deve guardar o que é possível no seu orçamento, mesmo que seja pouco. Se fizer planos de guardar um valor que venha lhes trazer sacrifícios em demasia, vocês podem não conseguir, se frustrar e desanimar no meio do cominho. O importante é manter a disciplina e começar o processo de juntar dinheiro. O melhor é guardar pouco, mas habituar-se a guardar sempre.
O segredo é manter a regularidade, não a quantidade. Este cuidado de separar sempre uma fatia de sua receita para alcançar suas metas e objetivos se tornará um hábito tão consolidado que você sentirá falta se não o fizer.
(Matéria retirada do programa Saldo Extra)
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