segunda-feira, 21 de maio de 2012

Gastos com o Carro

O automóvel é o sonho de quase todo brasileiro. A sensação de independência, prosperidade e de status social ligada à posse de um automóvel não encontra rival ou paralelo em nenhum lugar do mundo. Em muitos casos, se tornou uma verdadeira obsessão.
E os fabricantes, concessionários, intermediários e financiadores, que têm perfeito conhecimento dessa obsessão, a incentivam de todas as maneiras.
Vale ressaltar que automóvel se tornou um bem de família, necessário, e também uma ferramenta de trabalho. Eis os motivos para dedicarmos tempo a avaliar este assunto com atenção.

Os homens normalmente não resistem a um belo e potente carro, mas com a vida corrida onde tempo é dinheiro, o carro passou a ser uma necessidade e não um artigo de luxo.
É bom saber quanto custa um carro antes de efetuar a compra. Quanto você irá desembolsar para manter este sonho, ou necessidade? Optando ou não por um parcelamento, lembre-se que além das prestações existem outras despesas que se não for uma compra muito bem planejada pode trazer sérios problemas.

É possível classificar os usuários de automóveis em dois grandes grupos:
  • Os que têm o automóvel principalmente como ferramenta de trabalho e locomoção e secundariamente para lazer.
  • Os que têm o automóvel principalmente para lazer.
 Você sabia que sustentar um automóvel custa muito mais que um filho? Quando um carro é utilizando somente para viagens de lazer e para passear aos domingos com a família não deve ser analisado unicamente sob o ponto de vista de despesas ou custo, pois prazer, confraternização familiar e tantos outros aspectos subjetivos são igualmente importantes para nossa saúde mental.
Acontece que, para muitas famílias, o automóvel acaba sendo um peso excessivo no orçamento financeiro. Se você está pesadamente endividado, leve seriamente em consideração a opção de vendê-lo.
Tanto as prestações mensais como os custos de manutenção podem ser a diferença entre viver dentro do orçamento ou estar se sacrificando e acumulando dívidas.

É muito difícil desfazer-se da comodidade de um automóvel, mas em certas circunstâncias, talvez fosse melhor ficar sem ele, pelo menos até recuperar o fôlego financeiro.
De qualquer maneira, a aquisição, a manutenção, depreciação e todos os demais custos correlatos, exigem reflexão e bom senso, pois a soma de todos estes itens pode comprometer seriamente o orçamento doméstico.

Aqueles que utilizam o carro como ferramenta de trabalho e, portanto não podem abrir mão do veículo, devem encarar sua aquisição de modo ainda mais cuidadoso.
São poucas as pessoas que se preocupam em calcular quanto lhes custa adquirir e manter um carro.
Em alguns casos, utilizar motocicleta, ônibus, metrô, táxi ou até mesmo uma bicicleta seria bem mais racional.
Será que o automóvel é um investimento? No longo período da elevada inflação, quando a moeda valia cada dia menos, muita gente passou a adotar o conceito de que adquirir um carro do ano era excelente investimento. Com a divulgação desse conceito, os profissionais do ramo, lucraram muito. A maioria dessas pessoas, entretanto, foi iludida pelo aumento de valor do carro, em moeda que se desvalorizada desde o momento da aquisição até a venda, devido à perda de valor dessa mesma moeda.

Hoje em dia, com a maior estabilidade da moeda, a facilidade de sua aquisição e a imensa quantidade de opções de marcas e modelos existentes, um carro deve ser considerado estritamente um bem de consumo e jamais uma forma de obtenção de lucro, como um investimento no mercado financeiro.
Você sabe quanto do seu salário você gasta com o automóvel?
É bom você tentar saber quanto do seu ganho mensal está sendo gasto com o carro. Pode até ser que leve um susto, razão pela qual deve fazer esse cálculo.

É simples: basta dividir o gasto médio mensal com o automóvel pelo seu ganho mensal líquido e terá o percentual. Neste momento você já pode começar a fazer a reflexão, se não seria melhor utilizar algum transporte público, pelo menos enquanto você estiver lutando para eliminar suas dívidas.
Para algumas pessoas, o gasto com o automóvel pode chegar a mais de 50% dos ganhos mensais! Imagine as famílias que possuem dois ou mais automóveis. Este é um assunto que deve ser avaliado de maneira pessoal. A situação de um conhecido, parente e colega de trabalho pode ser bem diferente da sua, para melhor ou pior.

Queremos lhe desafiar a colocar no papel, com toda a honestidade, quanto tem de gastos anuais com seu carrinho. Não vale enganar a si mesmo.
Você vai aprender a maneira de fazer o cálculo de uma forma muito simples e a seguir vamos ver todos os tipos de despesas que podem ocorrer para quem possui automóvel. Algumas delas só acontecem uma vez por ano, outras, de vez em quando: e ainda outras, todos os dias, semanas ou meses. Levante os dados totais para um ano e depois divida por doze meses. Você pode se surpreender ao somar todos os custos!

Vamos ver então quais são as despesas e gastos normais com um automóvel. De fato, você não deve considerar o carro como um investimento, mas simplesmente como um bem de consumo como qualquer outro.  A lista de despesas fixas e variáveis envolvidos no uso do carro é grande, vamos a ela:
  • Seguro obrigatório;
  • Seguro contra roubo, acidentes, fogo e terceiros;
  • IPVA;
  • Despachante e registro do veículo em seu nome (ou na alienação);
  • Pagamento extra por uma vaga de garagem para guardar seu veículo durante a noite, se não possui vaga em sua residência;
  • Custo de estacionamentos;
  • Prestações mensais de financiamentos ou consórcios, incluindo juros e taxas correspondentes;
  • Multas de trânsito. Mesmo que você seja extremamente cuidadoso. Os radares, por exemplo, são traiçoeiros, colocados em situações imprevisíveis.
  • Caixinha para guardadores de carro e vigias de rua;
  • Combustível (gasolina, gás, diesel ou álcool);
  • Borracharia;
  • Balanceamento de pneus;
  • Oficina para ajustes e consertos esporádicos;
  • Revisão;
  • Funilaria e retoques na pintura;
  • Pedágios;
  • Troca de óleo lubrificante e filtro;
  • Lavagem completa ou parcial etc.
Fez as contas certinhas para um ano e depois dividiu por doze, para não excluir nada? Então agora já conhece o resultado. Levou aquele susto? Ainda não terminamos!
Fez as contas certinhas para um ano e depois dividiu por doze, para não excluir nada? Então agora já conhece o resultado. Levou aquele susto? Ainda não terminamos!
Divida agora seu gasto mensal com o automóvel pela sua renda líquida mensal e obterá o percentual do seu salário gasto exclusivamente com o carro que possui. Se o comprometimento for excessivo em relação ao seu orçamento, trate de alterar de alguma forma a influência do automóvel em sua vida financeira.
Não existe uma rígida tabela matemática que defina quanto significa a palavra “excessiva”. Você terá de analisar seu caso específico à luz de seu próprio orçamento doméstico.

Financiamento ou consórcio?Para aqueles que costumam adquirir seus carros com financiamento e não à vista, você deve escolher cuidadosamente a financeira que deverá dar o crédito. Muitas vezes a financeira pertence à montadora é a que possui as melhores taxas, pois obtém seu lucro na venda do veículo e também no financiamento do veículo. Essa constatação é especialmente válida em períodos de poucos negócios, quando eles têm grande interesse na venda de um estoque encalhado. A taxa de juros aplicada ao financiamento também pode mudar, dependendo da época do ano.
Ao contrário do que se possa imaginar, dependendo da taxa de juros utilizada, pode ser mais interessante efetuar o financiamento por intermédio da financeira em vez do consórcio.
Mas será que o consórcio é pra você mesmo? Em certas circunstâncias essa forma de aquisição de veículos novos pode ser mais vantajosa do que pagar os juros que acompanham os financiamentos tradicionais.

Entretanto, você não pode se esquecer em nenhum momento que também na aquisição pelo consórcio existem custos envolvidos, cobrados antes e depois de você ser sorteado ou de receber seu carro por meio de lance. E esses custos, ao contrário do que se pensa, podem ser bem salgados.
Por isso, antes de aderir a um grupo de consórcio, faça sempre as seguintes perguntas a si mesmo:

  • Será que tenho como cumprir os tantos meses do pagamento das prestações?
  • Este valor cabe no meu orçamento mensal?
  • Uma vez sorteado, terei condições financeiras para continuar pagando as mensalidades pelos meses restantes, além de enfrentar as despesas de manutenção do carro?
Antes de tomar a decisão de adquirir um automóvel pelo consórcio, compare as despesas com os custos de financiamento de uma instituição financeira ou a revendedora diretamente envolvida com a mesma marca do carro de sua preferência. E casos de eventuais abusos dos administradores de consórcios, o Procon pode ser acionado.
Lembre-se sempre: adquirir carro em consórcio significa também que não há descontos especiais quando a própria montadora ou algum concessionário resolve fazer campanhas promocionais de venda. O consorciado está fora dessas oportunidades. Esse fato pode representar uma diferença significativa.
Enquanto você não terminar de pagar as mensalidades conveniadas, o veículo alienado a favor da administradora do consórcio. Por tanto, você não poderá dispor livremente do bem.
Vale também lembrar a todos que é importante fazer um bom seguro do automóvel, pois as estatísticas apontam que a quantidade de roubos e batidas em nosso país é cada vez maior.
Justamente pessoas com pouco capital deveriam estar de posse de uma apólice de seguros confiável, pela qual ficam cobertas em relação aos imprevistos que possam ocorrer com o veículo.

Imagine a seguinte situação: ter seu carro roubado ou acidentado (com perda total) sem estar segurado. Agora, imagine uma situação ainda pior: ter o carro roubado ou acidentado, com perda total enquanto você pagou apenas duas prestações de um financiamento de 24 meses. Você fica sem seu carro e ainda terá de pagar mais 22 prestações mensais por um veículo que já não existe mais!
É muito melhor pagar a apólice do seguro do que as prestações de dois carros; o perdido por roubo ou acidente e a aquisição de outro carro novo.
Por último, quero chamar a atenção para aquela que é maior despesa de um veículo, a depreciação pelo ano de fabricação. Mesmo que seu veículo não sair da garagem, ele tem uma alta desvalorização, que pode ser ainda maior se o modelo de seu veículo sair de linha ou se surgir um modelo com um design mais moderno. Quanto mais novo for o veículo, maior ainda será esta depreciação. Esta despesa passa desapercebida durante um bom tempo e vamos nos dar conta dela no momento da troca.
(Matéria tirada do programa Saldo Extra)

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