quinta-feira, 31 de maio de 2012

Entendendo a dinâmica do mercado financeiro

Investimentos, ações índices, taxas, bancos, inflações. Ouvimos essas palavras com freqüência no dia a dia do noticiário e em conversas por aí. O problema é que nem sempre sabemos exatamente o que cada uma delas significa nem a função de cada coisa dentro da economia.
Todos os segmentos do mercado financeiro mantêm relação muito próxima com as políticas monetárias, fiscal, de rendas e de câmbio. Os mercados são afetados por elas e refletem diretamente os resultados dessas políticas, sejam eles positivos ou negativos. É por isso que se costuma dizer que tudo está intimamente ligado, como se fossem elos de uma corrente. Se um dos segmentos da economia fica desequilibrado, é melhor esperar, pois é possível que num piscar de olhos os ventos mudem de rumo completamente!
Inflação é um fenômeno que resulta de um aumento constante nos preços dos produtos e dos serviços oferecidos no comércio. A inflação é computada em uma série de produtos adquiridos pelas famílias, a cada semana ou a cada mês e de acordo com a renda. Por isso, são conferidos pesos entre as diversas categorias de preços para aferir a taxa de inflação.
Com o aumento do preço dos produtos, as pessoas passam a poder comprar menos coisas com a mesma quantidade de dinheiro, ou seja, a população perde o que chamados de poder aquisitivo, o poder de adquirir os produtos. O resultado disso? As empresas vendem menos, têm lucros menores. Como ninguém gosta de ter menos dinheiro no bolso, ou em caixa, as empresas reduzem seus gastos e, por isso, cortam despesas em geral, inclusive parte de seus funcionários, um prejuízo muito grave gerado indiretamente pela inflação.
A taxa de juros representa, portanto, o custo do dinheiro no mercado e é o Banco Central que estabelece, periodicamente, a taxa de juros básica nacional. Quando essa taxa está alta, é sinônimo de falta de dinheiro no mercado ou que o governo quer que as pessoas deixem de comprar produtos. Se a inflação é alta, o governo pode aumentar os juros. As pessoas fogem do crediário e começam a comprar menos. As fábricas, para não perder clientes, evitam reajustar preços e ate concedem descontos, daí, a inflação tende a cair. Ao contrário, quando está baixa, é porque está “sobrando” dinheiro. A taxa de juros é uma das mais importantes ferramentas da política monetária.
A política de rendas é a parte da economia que acompanha o comportamento dos salários e o poder aquisitivo. Isto significa o poder de compra do salário da população. Existem duas denominações para os salários: o salário nominal, que é o valor total do salário, e o real, que é aquilo que o salário será capaz de pagar depois de descontada a inflação do período.
É por isso que o governo precisa ficar de olho na renda da população: a inflação do país tira o poder de compra dos trabalhadores. O salário mínimo, que serve de base para empregados e empregadores, é regulado pelo governo.
Já a principal função da política fiscal é arrecadar dinheiro para oferecer serviços à população como Saúde, educação, transporte, limpeza, iluminação e assim por diante. Trata-se de um conjunto de regras utilizadas para administrar o dinheiro público.
O governo, por meio do PIB que significa Produto Interno Bruto, calcula a soma de tudo o que é produzido no mercado de bens e serviços em certo período de tempo. Dessa forma, é possível medir a atividade econômica do país, isto é, sua riqueza. Quem faz esse cálculo é o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que também mede a renda per capita, que é a quantia de dinheiro que “cabe” a cada cidadão naquele período. Mas esse cálculo de renda per capita não é totalmente correto, pois desconsidera o fato de que as pessoas têm rendas completamente diferentes. Por meio desse cálculo, é como se todos os habitantes do país tivessem direito à mesma fatia de riqueza, o que, todos nós sabemos, não é verdade: a riqueza é distribuída de forma muito desigual. Em países menos desenvolvidos, em que há má distribuição de renda, como o Brasil, esse erro é comum.
(Matéria retirada do progama Saldo Extra)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Evitando a Inadimplência

O ensino financeiro é tão importante para a vida em sociedade que deveria ser dado nas escolas. No Brasil, infelizmente, a Educação Financeira não faz parte do universo educacional familiar, nem mesmo escolar, ao contrário do que acontece nos países desenvolvidos.
No Brasil, somente em agosto de 2010, começou o primeiro projeto oficial de educação financeira em 450 instituições de ensino público de nível médio. A iniciativa foi possibilitada pela parceria entre os órgãos reguladores do Sistema Financeiro Nacional – Banco Central, CVM (Comissão de Valores Mobiliários), PREVIC (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) e SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) – e tem o apoio da Bovespa e a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais).
Com o mínimo de conhecimento financeiro, é possível saber que manter as contas em dia é uma questão básica e saudável. As dividas, por sua vez, trazem consequências desagradáveis para uma pessoa e sua família em todas as áreas da vida: finanças, relacionamentos, saúde, produtividade no trabalho e, claro, no relacionamento com Deus.
Para lidar com a inadimplência, é preciso antes conhecê-la bem, sabendo quaisos fatores que a ocasionaram. Alguns fatores que levam as pessoas à inadimplência:
  • Descontrole financeiro, ocasionado pela falta de conhecimento dos princípios de finanças pessoais;
  • Compras parceladas em demasia;
  • Facilidade de conseguir crédito para compras de carro (explicar);
  • Desemprego;
  • Compras para terceiros;
  • Atraso de salário;
  • Redução de renda em comparação com o aumento do custo de vida;
  • Doenças na família;
Vale aqui reforçar a importância de conhecer os princípios básicos de finanças pessoais: fazer planejamento, fazer orçamento, controle dos gastos, saber lidar com o dinheiro que você tem consumindo de forma consciente e investir corretamente, para que em casos de emergência ou imprevistos você possa ter uma segurança, pagar suas contas em dia e não entrar na lista dos inadimplentes.
Mas o que deve ser feito para não cair na armadilha da inadimplência? Alguns passos para passar longe dessa possibilidade:
  • O primeiro passo é se conscientizar que o dinheiro não é elástico, por isso é importante saber o que é imprescindível e guardar uma parte. Nós somos os responsáveis pelo nosso futuro.
  • O segundo é reunir a família. Faça um levantamento de todos os gastos, inclusive as pequenas despesas. O casal deve sempre decidir em conjunto onde cortar gastos, quanto guardar e onde pôr o dinheiro.
  • O terceiro é traçar objetivos, o que chamamos de planejamento com metas de curto, médio e longo prazos.
  • O quarto passo é abandonar a onda de consumismo. Seja disciplinado, planeje suas compras e jamais compre por impulso. Já apresentamos o tema do consumismo em vários de nossos programas, pois esta “doença” tem atingido muitas pessoas e é preciso cortar o mal pela raiz.
  • O quinto é começar a economizar nas pequenas coisas.
  • O sexto passo é jamais lançar mão do cheque especial, pois os juros ali cobrados são absurdamente elevados. Lançar mão deste crédito é um suicídio financeiro;
  • O sétimo passo é não parcelar as compras no cartão de crédito, para não arcar com juros de cerca de 8% e 9% ao mês ou taxas de 152% a 181% ao ano. O controle das despesas realizadas com cartão exige cuidados. O carão de crédito ajuda a organizar seus pagamentos, é uma opção segura depagamento, mas a fatura deve ser paga em uma única vez. O parcelamento das compras do cartão de crédito também é um suicídio financeiro. Jamais lance mão desta linha de crédito.Ainda sobre cartão, negocie com sua operadora o não pagamento das anuidades, ou então a redução das mesmas. Como existem muitas operadoras brigando para ter mais clientes, existe um amplo campo de negociação.
  • O oitavo passo é cortar supérfluos. Faça sempre a pergunta: “Será que preciso urgentemente disso ou daquilo”? Jamais faça compras por impulso.
  • O nono é elaborar um orçamento doméstico. Acesse nosso blog e reveja o programa intitulado “Orçamento Familiar” e baixe a planilha que também está disponível para lhe ajudar na elaboração do orçamento.
  • O décimo passo é implantar um controle periódico de todas as suas despesas, comparando com o seu orçamento.
  • O décimo primeiro passo é fazer uma pequena reserva no fim do mês, que irá se multiplicar nos meses seguintes, se você tomar gosto pelo hábito da poupança. Um cofrinho em casa é um começo. Tenha sempre como reserva pelo menos o valor equivalente a um salário.A reserva vai lhe trazer estabilidade financeira, cobrir os imprevistos e fazer frente ao seu planejamento. Poupar vai aumentar sua auto-estima. Também já apresentamos diversas formas de investimentos, procure rever esses programas também em nosso blog.
É possível sim, não cair na armadilha da inadimplência e se cair é possível sim sair dela! Tudo dependerá da educação financeira que você aprender e aplicar em sua vida.
(Matéria retirada do programa Saldo Extra)

terça-feira, 29 de maio de 2012

Junte Dinheiro em Grupo

Parece muito fácil falar: “gaste menos do que ganha e você enriquecerá”, não é mesmo? Se fosse apenas pelo lado dos números, então seria muito fácil mesmo. Mas como sabemos ter hábitos financeiros saudáveis é mais difícil do que parece na prática.
Alguns estudos publicados recentemente mostram que buscar ajuda com seus pares pode surtir um grande efeito nesta seara.
Já pensou em formar um grupo para juntar dinheiro? Isso mesmo, juntar dinheiro! Existem os grupos de férias, grupos de leitura, grupos de ver filmes, grupos pra perder peso, ou seja, existem grupos para todos os gostos.
No mesmo processo dos AA (Alcoólicos Anônimos), a realização de objetivos em grupo provou ser eficaz em levar pessoas a modificarem seu comportamento. Agora os pesquisadores estão aplicando este conceito com mais freqüência em questões relacionadas ao dinheiro.
Em um estudo de 2010 realizado por pesquisadores americanos e chilenos, uma turma controlada de empresários começou a se reunir regularmente para definir objetivos semanais de poupança, discutir seus objetivos e confessar os seus erros. Ao longo de um ano, a média da turma foi uma economia mensal de 11% de sua renda – guardaram duas vezes mais dinheiro do que outra turma controlada que não tinham as reuniões.
Agora, seria possível adotar este modelo de “terapia em grupo” dentro de casa, com a própria família? Ou seja, buscar o próprio suporte em casa para ter atitudes mais positivas em relação ao dinheiro? O que acha de começar a pensar neste assunto?
O que acontece em geral nas famílias é que existe um provedor ou provedores, talvez os pais que estão empenhados em dar conforto, em construir um patrimônio, aqueles quem levam dinheiro para dentro de casa. É comum nas famílias brasileiras o controle financeiro estar na mão do chamado “arrimo de família”, o pai, que normalmente é o principal provedor. Porém, quero levá-lo a uma reflexão, principalmente os pais. Temos dito nos programas que gastar é tão importante como ganhar. Se dentro de casa temos muitos “gastadores”, ou “consumidores” da renda da família, não seria o caso de envolvê-los na gestão financeira? Não seria o caso deles participarem e darem a sua contribuição, não ganhando, como os filhos que não trabalham, mas fazendo algo tão importante como os provedores que trazem a renda, que é controlando os gastos com responsabilidade?
Uma grande parte dos problemas financeiros das famílias estaria resolvida se elas adotassem a prática de administrarem as finanças juntos, se formassem um grupo de trabalho, ou porque não dizer, fazer uma “terapia financeira em grupo”. Alguns planejadores financeiros até recomendam algumas dicas para que a “terapia em grupo” em família dê certo.
Vejam algumas delas:
1.    ENVOLVER TODA FAMÍLIA NO PROJETO: não deixe ninguém de fora, chame todo mundo pra sentar e ver quem têm objetivos.O objetivo é comum?Não é?Se cada um tem o seu objetivo, nada melhor do que fazer com que ele se concretize em grupo.
2.    ESTABELECER METAS REALISTAS: não dá pra falar “quero uma Ferrari no final do ano”.Se não é possível, isto tem que ser entendido claramente. É preciso então fazer algumas contas juntamente com os pais, os filhos, todo mundo junto pra ver de onde vem o dinheiro, ver até quanto dá pra gastar, e quais metas são realistas. Aí já entra novamente naquela palavrinha tão repetida nos nosso programas: o orçamento. Ele deve ser feito com todos os membros da casa. Todos devem conhecer a renda e para onde vai ser aplicada a mesma.
3.    TODOS OS PARTICIPANTES DEVEM TER METAS: lembre-se que a meta principal é ter estabilidade financeira, e com ela virá a qualidade de vida e o bem-estar chamado de “juntar dinheiro”, não de gastar o que não tem.Todos devem ter uma meta, que pode ser uma meta em comum da família ou cada um com suas metas próprias, mas é importante estabelecer essas metas com todos reunidos. Veja alguns exemplos de metas:
a.    Da família: trocar de carro no fim do ano, fazer uma viagem internacional, reformar a casa. Metas de economia: ir trabalhar de ônibus e metro duas vezes por semana.
b.    Metas particulares: fazer um curso de inglês, estudar um instrumento musical. Metas de economia: ir de bicicleta para o curso de inglês, não gastar mais que “X” reais por dia com lanche na escola.

Para fazer frente às metas que envolvem despesas extras ou investimento, elas devem ser precificadas e devem constar no planejamento e no orçamento a formação da reserva.
4.    FAZER REUNIÕES REGULARES: as reuniões servirão para avaliar como está o andamento de cada um, avaliar os erros e acertos. Não faça uma reunião no início do ano e depois outro no final porque assim vocês nunca conseguirão alcançar as metas e objetivos. É preciso a cada mês saber se o plano irá dar certo. O que estamos dizendo com “reunião”, nada mais é que promover o diálogo entre todos sobre os assuntos financeiros: planejamento, orçamento, compras, investimentos, etc.
Esses diálogos serão essenciais para dar suporte pra ver quem não alcançou a meta, rever seus erros, valorizar aqueles que conseguiram alcançar e, claro, comemorar, celebrar. Nunca devem existir brigas, discussões ou acusações quando se fala de assunto financeiro, mas sim conselho e ajuda mútua. O objetivo maior é o bem-estar de toda a família. Todos saem ganhando. Todos conseguem agir melhor quando sabem que estarão compartilhando erros e acertos e, no fim de tudo, as recompensas das metas e objetivos.
Assim que os filhos passam a ter consciência do valor do dinheiro, que começam a consumir, por menor que sejam as despesas, como o lanche na escola, já devem participar nos diálogos familiares sobre dinheiro.
Essas dicas e também reuniões em grupo tanto servem para juntar dinheiro quanto para pagar dívidas. Os membros da família podem fazer isso estabelecendo metas e planos, como por exemplo, os filhos podem deixar de sair com colegas para lanchar fora no fim de semana, alugar DVDs, etc, dando sua parcela de contribuição no processo de recuperação das finanças da família.
Se as metas não estão ligadas ao pagamento de despesas, mas a planos futuros de recreação, como férias, ou investimento patrimonial, etc, a pergunta pode ser: “Mas quanto devemos como família guardar por mês para conseguir realizar nossas metas?” Bom isto depende de quais metas vocês estabeleceram. Mas uma resposta mais clara e simples é que a família deve guardar o que é possível no seu orçamento, mesmo que seja pouco. Se fizer planos de guardar um valor que venha lhes trazer sacrifícios em demasia, vocês podem não conseguir, se frustrar e desanimar no meio do cominho. O importante é manter a disciplina e começar o processo de juntar dinheiro. O melhor é guardar pouco, mas habituar-se a guardar sempre.
O segredo é manter a regularidade, não a quantidade. Este cuidado de separar sempre uma fatia de sua receita para alcançar suas metas e objetivos se tornará um hábito tão consolidado que você sentirá falta se não o fizer.
(Matéria retirada do programa Saldo Extra)